Arturo's
O limoncello é do golfo de Nápoles — Sorrento, Amalfi, Capri disputam a origem, e as três contam história diferente. O que as três têm em comum é o limão: casca grossa e muito óleo essencial, que é onde mora o aroma. Suco não entra. O que entra é a casca em álcool, o tempo, e depois xarope.
É bebida de depois do jantar, servida do freezer, quase xaroposa de tão gelada — o que o rótulo já manda em italiano: servire ghiacciato.
A infusão da casca no álcool leva de 4 a 40 dias na geladeira, mexendo uma vez por dia, e depois de engarrafado ainda se espera uma semana. É o único produto da casa que exige tempo — os outros ficam prontos no dia em que são misturados.
Este é o produto premium da linha, e o único que assina Arturo's. Leva também grãos de café e folhas de limão na infusão, que não aparecem em receita tradicional nenhuma — e são o que faz esta versão ser desta casa.
Aqui a casa usa o dobro de limão que a receita pede: a casca de doze, e não de sete ou oito. E nada se perde — o suco desses mesmos limões é guardado e vira Fitzgerald. Uma batelada de limoncello rende quatro garrafas e, de quebra, o limão de umas cinco garrafas do outro produto: a casca de um limão siciliano é pouca coisa, mas ele tem 41% do peso em suco.